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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Canela e pé são as maiores vítimas da corrida, mostra estudo


RODOLFO LUCENA
DE SÃO PAULO



Canela, calcanhar e planta do pé são as maiores vítimas do impacto que ocorre na corrida --e não os joelhos, tão lembrados quando se fala em lesão de atletas.

É o que revela estudo pioneiro da Universidade Cidade de São Paulo publicado no "New Zealand Journal of Sports Medicine", revista que lidera o ranking internacional de publicações sobre ciência do esporte feito pelo "Journal Citation Reports".
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores analisaram 2.924 artigos. "Revisamos todas as pesquisas que descreveram as principais lesões em corredores", diz Alexandre Dias Lopes, fisioterapeuta, professor da Unicid e coordenador de um grupo de pesquisas sobre o tema.
No final da peneira científica, que descartou textos redundantes ou com definições insuficientes, só oito estudos foram considerados. No total, acompanharam 3.500 corredores e constataram 28 tipos de lesão. As três principais são: síndrome do estresse medial da tíbia (canelite), tendinopatia de Aquiles (tendinopatia do calcâneo) e fascite plantar (veja ao lado).
"Não dá para dizer qual é a principal. Essas três são as mais comuns", diz Lopes, que supervisionou o estudo conduzido pelo mestrando Luiz Carlos Hespanhol Júnior.
Nos consultórios, também são as campeãs, diz Jomar Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte
São lesões causadas por sobrecarga, nenhuma é traumática (tipo pisar num buraco). Diferentemente do futebol, que machuca por macrotrauma, a corrida causa lesões por microtrauma de repetição. "Alguma estrutura biológica não aguenta o estresse e sofre inflamação", diz Lopes.
Márcio Freitas, especialista em pé e tornozelo, acrescenta: "A causa principal dessas patologias é o excesso de treino, com pouco tempo de recuperação dos tecidos [osso, tendão, músculo]".
Rogério Teixeira da Silva, ortopedista e coordenador do Núcleo de Estudos em Esportes e Ortopedia, bate na mesma tecla: "Uma das causas mais comuns de sobrecargas ósseas e de tendão é o músculo não estar forte o suficiente para suportar os treinos; no caso da fascite plantar e nas tendinites de joelho e de Aquiles, o encurtamento muscular também é uma causa importante".
Quando a advogada Cinthia Andrade, 35, sentiu pontadas no meio da canela, achou que era cansaço.
Os sintomas surgiam nos treinos e eram amenizados quando ela, que corre há seis anos, reduzia a intensidade ou caminhava. Com o tempo, a dor passou a prejudicar seu desempenho.
"Em maio, numa prova de 10 km, tive de caminhar a partir do km 6. Em setembro, participei de outra e tive de caminhar já no km 3. Fico chateada porque estou preparada, mas não consigo desenvolver por causa da dor."
Sem nunca ter deixado de treinar ""corrida até quatro vezes por semana mais bicicleta ao menos um dia--, resolveu enfim ir ao médico.
O exame indicou canelite nas duas pernas. Agora, ela começa nova etapa: fisioterapia, fortalecimento muscular, aplicação de gelo e redução do volume de treinos. Os resultados devem aparecer em um mês e meio.
A advogada quer acabar com a dor logo e se preparar para a São Silvestre, principal prova de rua do país."Vou correr de qualquer jeito!"
Editoria de Arte/Folhapress

MENOS, MENOS
O tratamento, pelo menos num primeiro momento, é sempre a redução do treinamento, tanto em volume (quilômetros rodados por semana) quanto em intensidade (ritmo). Há situações em que o corredor deve mesmo interromper seus treinos. E precisa tomar outras medidas.
"Além de fisioterapia, o paciente deve seguir um programa específico de treinamento, envolvendo alongamento e fortalecimento muscular. Como terapia complementar, a acupuntura, o RPG e a quiropraxia podem ser utilizados", diz Moisés Cohen, diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte.
Os resultados dependem da paciência da pessoa, nem sempre disposta a abrir mão de seu esporte, constata Freitas: "Nós, que tratamos corredores, ficamos muitas vezes de mãos atadas, pois essas lesões requerem um tempo de tratamento, o que não é aceito por eles e, muitas vezes, não temos tecnologia para abreviar esse tempo, que é determinado pela biologia, não pela opinião médica".

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Síndrome do Trato Ilio tibial

Também conhecido como Síndrome da Banda ílio tibial, é uma dorzinha na região lateral do joelho, ela se dá pela fricção da banda iliotibial com o trato. É muito comum em atletas de corrida, principalmente quando estão correndo na subida ou na descida, onde o joelho não dobra muito, ficando em uma angulação de 25 a 35 graus.

Mas o que é o trato ílio tibial?

O Trato Íliotibial (TIT) é uma faseia longa localizada na face lateral da coxa. Origina-se de um pequeno feixe muscular no osso ilíaco na pelve, onde é denominado tensor da fáscia lata.
Uma de suas causas é o desbalanceamento muscular, causado entre agonistas e antagonistas e também a falta de alongamento muscular.
Outro desporto muito susceptível a esta lesão é o ciclista, pelos mesmos motivos dos atletas de corrida e também pela “ausência” do bike fit, onde o atleta não fica com boa postura na bike.
Esta patologia raramente é grave a ponto de necessitar tratamento cirúrgico, mas pode ser extremamente desconfortável e afastar os atletas de suas actividades.
Ela é uma patologia causado por uso excessivo, muito comum em atletas de corrida e de longa distância.
Corredores com pés provados estão mais susceptíveis a esta lesão, pois faz com que haja um esforço excessivo no joelho no intuito de corrigir a pisada e há também alguns casos de pessoas com fraqueza da musculatura glútea, pois o glúteo é responsável pela rotação do quadril.

Quais as suas causas?

  •  Fraqueza muscular, causando desequilíbrios entre agonistas e antagonistas
  •  Falta de alongamento muscular
  •  Joelho em valgo (para dentro )
  •  Pé em pronação
  •  Aumento súbito no tempo corrida,
  •  Treinar em terrenos irregulares, subidas e descidas
  •  Selim da bike muito alto
  •  Sapatilha da bike com rotação interna
Sintomas: O principal sintoma da Stit (Síndrome do Trato Iliotibial) é a dor, um pouco acima linha articular joelho, parte lateral.
Tratamento: medicamentoso ( sempre orientado por um médico ), fisioterapia e em casos mais crónicos é necessária a interrupção das actividades para realizar o tratamento. Neste caso, o retorno aos desportos deve ser gradual.
texto: David Homsi

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Dor no calcanhar? Pode ser sério!


Ortopedista dá dicas para evitar lesão


A tendinopatia insercional do aquiles desgasta e inflama o tendão calcâneo, que conecta os músculos da panturrilha ao calcanhar, usado durante a corrida

Por Paula Gabrielle



Após um treino de 13km, em piso de concreto e com um tênis gasto, Ricado Tadeu, servidor público de 44 anos, passou a sentir dores fortes no calcâneo. Sem saber o que estava acontecendo com o seu pé, o corredor, que pratica o esporte há três anos e meio, procurou um especialista sete meses depois de ter sentido pela primeira vez a fisgada no calcanhar. Ao concluir a consulta, foi constatado que Ricardo estava com a tendinopatia insercional do aquiles. E agora?
De acordo com a ortopedista Ana Paula Simões, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a tendinopatia é uma lesão degenerativa nos tendões. Ocorre um processo de desgaste e inflamação no tendão do calcâneo (aquiles), que conecta os músculos da panturrilha ao calcanhar, usado durante o caminhar, correr e saltar. O processo é lento e gradativo, podendo ou não causar a sua ruptura no último estágio da doença.
lesao_calcanhar (Foto: arte esporte)



- Minha lesão acabou ficando crônica. Nos treinos atrapalha, mas quando eu esquento ela acaba sumindo, mas quando acordo, não consigo pôr o pé no chão. Sinto uma dor local, como se fosse uma pancada. Aparece quando fico algum tempo parado e começo a andar. O tendão de aquiles lesionou justamente no osso calcâneo - contou Ricardo.
Ana Paula explicou que para se obter o diagnóstico, o paciente precisa passar por alguma etapas. A primeira é a anamnese, que é uma entrevista realizada pelo especialista com a intenção de se descobrir o ponto inicial da lesão, busca relembrar os fatos. Em seguida, deve se realizar um exame clínico para ajudar a classificar. Podem ser exames de imagem como o ultrasom e a ressonância.
Como surge a lesão
calcanhar detalhe dor (Foto: Editoria de Arte / GLOBOESPORTE.COM)Região na qual o atleta sente as dores da lesão
(Foto: Editoria de Arte / GLOBOESPORTE.COM)
- Podemos dividir os fatores em intrínsecos e extrínsecos. Os extrínsecos estão relacionados com o treinamento excessivo, o nível de competição, movimentos repetitivos, erro na execução do gesto esportivo, contrações vigorosas, superfície de treinamento, condições ambientais e equipamentos utilizados. Os intrínsecos incluem, dentre outros, alterações anatômicas estruturais e  biomecânicas, desequilíbrios e/ou encurtamentos musculares, déficit de força muscular, nível do suprimento sanguíneo do tecido e fadiga - informou a ortopedista.
Nesse sentido, Ana Paula deixa claro que os fatores para o surgimento são muitos e os portadores desta condição devem ser analisados individualmente, até mesmo do ponto de vista biomecânico.
Tratamento
- Focar os cuidados nos fatores intrínsecos e extrínsecos;
- perda do peso excessivo para que a musculatura não fique sobrecarregada;
- alongar antes de depois da corrida;
- usar gelo no local inflamado quando a lesão estiver no início;
- antiinflamatórios e palmilhas ortopédicas;
- fisioterapia e massagens no local inflamado.
corrida de rua calcanhar ricardo (Foto: Arquivo Pessoal)Ricardo trata sua lesão com muitas sessões de
fisioterapia e alongamento (Foto: Arquivo Pessoal)
Ricardo, inicialmente, ficou três meses parado e se dedicou totalmente à fisioterapia. Leu muito a respeito do seu caso e procurou mais de um especialista para iniciar seu tratamento.
 - Fiz sessões de fisioterapia recomendada pelo ortopedista e melhorou um pouco. Hoje faço pilates e ajuda muito. Treino normalmente, monitorado pela minha fisioterapeuta. Nossa teoria é que a lesão não vai piorar. E, realmente, voltei a correr tem dois meses e não piorou. Sei que meu caso é difícil de curar, pelo local da lesão, mas não tem mágica. É ter paciência e alongar bastante - concluiu o mineiro.

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