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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A importância do músculo glúteo na pedalada

Estudos avaliaram a contribuição dos músculos posteriores da coxa e dos extensores do quadril durante a pedalada, apontando diretrizes para os treinos

Por Rodrigo Bini


Diversas pesquisas esclareceram a função muscular durante a pedalada. No entanto, a minoria destes estudos investigou as características biomecânicas durante a pedalada supramáxima.

Esta, caracteriza-se pela intensidade de exercício acima da capacidade aeróbia máxima, sendo normalmente observada em situações de fuga (sprint).

Na Figura 1, é apresentado um diagrama básico da coordenação muscular durante a pedalada submáxima.

Figura 1. Exemplo ilustrativo da coordenação muscular durante a pedalada. GMAX indica Gluteo máximo, VAS indica Vastos, GAS indica gastrocnêmios, SOL indica sóleo, HAM indica isquio-tibiais, IL indica iliopsoas, TA indica tibial anterior e RF indica reto femoral.

Um estudo recente da Universidade de Brunnel (Inglaterra) em colaboração com a Universidade de Utah (EUA) observou que a contribuição dos músculos posteriores da coxa e dos músculos extensores do quadril (glúteos) é bastante aumentada durante o sprint (Elmer, Barratt et al., in press).

Estes resultados são similares aos achados de um estudo do nosso grupo, no qual identificamos que ao se aproximar do limiar anaeróbio, ciclistas utilizam mais os músculos posteriores da coxa (Bini e Diefenthaeler, 2010).

Os autores indicam que esta informação é bastante relevante, tendo em vista que muitos ciclistas não realizam treinamento de força priorizando os músculos posteriores da coxa e glúteos. Exercícios como o agachamento e a pressão de pernas (Leg-press) podem ser fundamentais no caso de ciclistas que possuem como objetivo melhorar seu desempenho.

REFERÊNCIAS
Bini, R. R. e F. Diefenthaeler. Kinetics and kinematics analysis of incremental cycling to exhaustion. Sports Biomechanics, v.9, n.4, p.223-235. 2010.
Elmer, S. J., P. R. Barratt, et al. Joint-specific power production during submaximal and maximal cycling. Medicine & Science in Sports & Exercise. in press.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Short Triathlon Iron Moon 2011 - Etapa Rio de Janeiro

Neste sábado (03/09) aconteceu na praia de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, a 1ª etapa do circuito Iron Moon de Short Triathlon.
Pelo próprio nome dá pra imaginar que a prova aconteceu a noite, com largada às 20:00 no posto 6.
A prova foi realizada pelas empresas Spiridon e X3M.
A prova foi bem "democrática", tendo participantes de todos os níveis. Do pessoal mais profissional, até a "galera" que estava ali só pra curtir com suas "caloi 10", "mountain bikes" e suas bicicletas "de passeio".

Vejam o vídeo do ciclismo...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Treino para melhor desempenho no ciclismo prolongado

Estudo com triatletas mostra que o treinamento de força de membros inferiores melhora o desempenho da pedalada durante o ciclismo prolongado
Por GEPEC - Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo
foto: imagens ativo

O ciclismo de longa duração é uma tarefa que acarreta alto desgaste para o atleta. Estudos têm sido realizados com o intuito de melhor compreender a mecânica da pedalada durante o ciclismo visando a elaboração de padrões e/ou estratégias de intervenções no treinamento de maneira que se obtenha um melhor desempenho e menor desgaste ao ciclista.

Nesse sentido, no estudo realizado por Hausswirth e Cols. (2009) foram comparados dois grupos de triatletas durante um teste de 2 horas de ciclismo, previamente submetidos a dois programas de treinamento distintos.

Um dos grupos realizou conjuntamente ao seu treinamento de endurance (natação, ciclismo e corrida) um treinamento de força para membros inferiores de alta intensidade (3-5 séries, 3-5 repetições máximas) durante cinco semanas, com frequência de três vezes por semana. O grupo controle manteve apenas seu treinamento de endurance com volume semelhante, sem realizar treinamento de força para membros inferiores.

O estudo demonstrou que os indivíduos do grupo treinado somente em endurance diminuíram sua cadência de pedalada durante todo período do teste de 2 horas de ciclismo, sendo que as variáveis metabólicas e musculares não melhoraram significativamente.

Já no grupo endurance + força houve diminuição para a variável metabólica frequência cardíaca na segunda hora do teste de ciclismo em comparação ao pré-treinamento, além da redução no fluxo ventilatório na primeira hora do teste após as 5 semanas de treinamento.

Além disso, os resultados demonstraram aumento da força máxima (aumento 1RM) nos triatletas deste grupo, além de ativação do músculo reto femural reduzida durante o teste de ciclismo de 2 horas e uma estabilização da magnitude de ativação do músculo vasto lateral entre os períodos 2 e 3 do teste. Este conjunto de fatores contribuiu para melhoras na capacidade dos ciclistas em manterem sua cadência de pedalada preferida conforme observação de sua estabilidade na segunda hora do teste.

Os autores acreditam que os ganhos relacionados ao treinamento de força estiveram ligados a uma melhora na sincronização do recrutamento muscular. A ativação reduzida e estabilizada dos músculos reto femoral e vasto lateral, respectivamente, sugere maior economia para a realização da tarefa em questão.

O principal achado do estudo diz respeito à estabilização da cadência de pedalada na segunda hora para sujeitos treinados, enquanto que sujeitos treinados somente em endurance reduziram sua cadência de pedalada durante o mesmo período.

Desta forma, o treinamento de força máxima paralelo ao treinamento regular de ciclismo parece resultar no incremento do desempenho após 5 semanas de treinamento. O ganho de força resulta em prevenção da redução da cadência preferida, comumente observada devido ao processo de fadiga decorrente do ciclismo prolongado.

C. Hausswirth, S. Argentin, F. Bieuzen, Y. Le Meur, A. Couturier, J. Brisswalter Endurance and strenght training training effects on physiological and muscular parameters during prolonged cycling. J Electromyogr Kinesiol. 2010 Apr;20(2):330-9.

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